Entre Papeis e Cartas
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Entre Papeis e Cartas Um blog sobre livros, viagens e um tanto de amor.
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Crônicas

Chove lá fora

Chove lá fora. Em questão de instantes, o céu que prometia uma tarde azul e um lindo…

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Textos

Sobre os dias, as palavras e o vento

Leia ao som de Gotas de Chuva – O Berço (essa música é muito boa!) Já faz uns…

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Crônicas

Quando eu disser adeus

Essa não é uma carta de despedida. Não é uma despedida. Não quero, com essas palavras, dizer…

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Reading the world: Turquia

Escolher um livro da Turquia não foi uma tarefa muito difícil. Orhan Pamuk, talvez o escritor turco…

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Pessoal

O tal bloqueio criativo

Escreve, lê, apaga. Escreve de novo. Ainda não ficou bom. Apaga outra vez. Depois da terceira, fecha…

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Cartas pra você

A carta que eu não queria escrever

Hoje eu escrevi mais uma carta pra você. Prometi a mim que dessa vez será a última.…

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Literatura

Por onde andam as pessoas interessantes

Por onde andam as pessoas interessantes? é o primeiro livro do Daniel Bovolento, do blog Entre todas…

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02/03/2016 0 Comments Crônicas

Chove lá fora

chove-la-foraChove lá fora. Em questão de instantes, o céu que prometia uma tarde azul e um lindo por do sol tingiu-se de um cinza escuro que trouxe a noite mais cedo. É verão, e não há nada de anormal em tardes chuvosas, me recordo. É o tempo da chuva, das ruas molhadas e do cheiro de terra molhada.

Chove lá fora. Aqui dentro, as únicas gotas que caem são as lágrimas derramadas pelos amores que não foram, as saudades que ficaram e as incertezas de um futuro que cada dia que passa mais se torna passado. As nuvens do lado de cá não se dissipam para dar lugar a uma noite estrelada, tal como as nuvens lá de fora. Elas continuam aqui,  deixando os dias infinitamente nublados e cinzas e a noites escuras e frias. Sem estrelas, sem lua, sem sol.

No player, toca uma música que fala sobre ser forte, sobre seguir em frente e encontrar o próprio caminho. Sobre perder e reencontrar. E esquecer. Quantas vezes a gente precisa aceitar que é preciso esquecer e seguir em frente, embora o coração insista em ficar. Deixar o tempo fazer seu trabalho e curar as feridas, juntar os pedaços e ir apagando aos poucos as cicatrizes. Por mais que seja doloroso, pode ser que esse seja o único caminho possível para encontrar um pouco de paz.

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01/02/2016 0 Comments Textos

Sobre os dias, as palavras e o vento

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Leia ao som de Gotas de Chuva – O Berço (essa música é muito boa!)

Já faz uns dias. Não sei quantos ao certo. Um, sete, trinta. Pode ser que não tenham sido dias, mas meses. Não importa. Porque passou. Passou como um sopro, como a nuvem cinza de uma chuva que chega à tarde, escurece o dia e depois de um tempo vai embora, desistindo de se fazer chuva.

O limbo. Aquele lugar onde nada existe de verdade. Onde a vida fica em suspensão. E as sensações não são mais que uma lembrança distante de algo que já foi sentido, mas que agora não faz sentido algum. É um não sentir. Uma quase não-vida. Quando a ausência de algo que nunca existiu se faz tão presente que ocupa todos os espaços. E sufoca.

Passa. Sempre passa. Às vezes rápido. Outras demora. Porque a roda da vida gira, volta e meia vai, mas volta. E quando volta, o vento faz girar, rodopiar como  em uma ciranda. E como tudo se transforma, as lágrimas viram sorrisos, e aquele aperto no peito, vontade de voar, se jogar. Amar.

Já faz um tempo que este quarto está escuro e frio. Talvez seja a hora de abrir a janela, e deixar o sol entrar. Antes que o verão acabe.

25/01/2016 0 Comments Crônicas

Quando eu disser adeus

post-adeusEssa não é uma carta de despedida. Não é uma despedida. Não quero, com essas palavras, dizer adeus. Eu ainda não quero dizer essa palavra, que dói só de pensar em falar em voz alta. Eu não sei como te deixar ir. Não sei como me libertar de algo que sempre foi mais sonho que qualquer outra coisa. Eu não sei.

Não sei mais o que eu sinto por você. Não sei se amo, se tenho saudade, se sinto falta de algo que nunca tive realmente, se quero de volta a esperança de um dia ter você aqui, se sofro com a sua indiferença. Não sei. Tem dias que desejo esquecer você para sempre, apagar totalmente da minha mente seu rosto, seu sorriso, sua existência. Noutros, a minha única vontade é que você diga que não se importa com o que eu sinto, por não sentir nada por mim. Talvez isso convencesse ao meu coração – e a mim, é claro –  que não faz sentido continuar nutrindo expectativas a seu respeito. Duas palavras: me esquece! seriam suficientes para me dar forças para não pensar mais em você. Tá que ia doer pra caramba e eu nem sei se teria forças para tanto, mas ainda sim, seria alguma coisa.

Mas, de você, não tenho nada. Nem uma palavra, por mais difícil pudesse ser. Nada além de não saber. E agora, eu posso dizer, não foi por falta de tentar. Do meu jeito meio torto, meio dramático, mas eu tentei. E o seu silêncio é uma resposta para a qual eu não estava preparada. Eu não queria esse silêncio, porque não consigo entender o que ele quer dizer. Eu esperava palavras ásperas, que pudessem machucar, que ferissem fundo no coração e que fizessem um mar de lágrimas cair até eu não ter mais forças para chorar. Mas não, até disso você me privou.

Sabe o que é mais triste disso tudo? Quando se abre o coração da forma que eu abri o meu, a gente precisa de um sinal de que as palavras tocaram de alguma forma a quem elas se destinam. E olha, eu coloquei a minha alma naquela carta. De uma forma que talvez eu nunca mais seja capaz.  E qual a sua reação? Não sei. Porque você não disse. Não disse porque não se importa. E, se não se importa, não merece.

Então, isso não é um adeus. Porque não é possível dizer adeus a alguém que nunca foi presença. Tampouco é uma despedida, pois, por enquanto, vou continuar aqui. Com meus sonhos, medos e angústias. E esperanças e desejos de coisas boas. Mas você, meu caro, não vai mais fazer parte de nada disso.

E as cartas, bem, elas não serão mais pra você.

24/01/2016 0 Comments Reading the world

Reading the world: Turquia

RTW-turquiaEscolher um livro da Turquia não foi uma tarefa muito difícil. Orhan Pamuk, talvez o escritor turco mais famoso (e o único que eu conhecia), possui várias obras traduzidas para o português. Eu queria ler algo diferente, até porque um dos objetivos do projeto é conhecer novos autores. A Camila, do blog Viaggiando, leu uma obra do Pamuk para o 198 livros, a resenha é essa aqui.

Durante as minhas pesquisas, percebi que a maior parte dos livros de autores turcos foram traduzidos a partir de traduções, principalmente do inglês. Então pensei que seria interessante buscar uma obra que tivesse sido traduzida diretamente do turco. E foi assim que cheguei até o livro As preces são imutáveis (Dualar Kalicidir) de Tuna Kiremitçi.

As preces são imutáveis conta a história de duas mulheres de gerações diferentes que, aparentemente, só tem uma coisa em comum: a língua. E começa quando a jovem Pelin, que vive em uma grande cidade européia (cujo nome não é citado) atende a um anúncio de jornal que pede “alguém que fale turco”. O anúncio, feito por Rosella, uma senhora viúva que vive sozinha e deseja ter alguém pra conversar. Em turco.

O livro ganha forma a partir das conversas entre as duas, onde vamos aos poucos conhecendo a história da Sra Rosellha, uma judia alemã que se viu morando em Istambul durante a Segunda Guerra Mundial e a de Pelin, uma jovem turca que foi mandada pelo pai para estudar em outro país.  É apresentando, através das memórias da senhora idosa, um pouco de como foi a vida dos judeus na Turquia durante a guerra, e as dificuldades e preconceitos enfrentados e o fantasma dos campos de concentração.

_Mesmo que os deuses sejam diferentes, as preces são imutáveis, mademoiselle. Não há uma diferença tão grande quanto supomos entre uma oração feita a Buda ou a Alá… Saudades, esperanças, medos… No fundo, se parecem…

Além da diferença da linguagem que proporciona vários momentos onde podemos ver uma ensinando expressões à outra, sobretudo atuais, as duas compartilham seus gostos musicais, literários e até dos seus galãs de cinema favoritos. Um dos meus trechos favoritos é quando as duas conversam sobre galãs do cinema e citam desde Johnny Weissmuller (o primeiro Tarzan) até Brad Pitt!. É interessante ir percebendo no decorrer das conversas as semelhanças entre as duas, embora a principio pareçam tão diferentes e a forma com o Pelin, que no início parecia relutante quanto ao “trabalho” e a falar de si, vai se abrindo e criando laços com a senhora mais velha.

A estrutura do livro, em forma de diálogo, torna a leitura rápida e leve. O livro é pequeno, são 20 capítulos divididos em 186 páginas, e eu terminei a leitura em 2 dias (e olha que ainda estou me acostumando a ler no kindle) É o tipo de livro que dá vontade de ler mais uma página, mais um capítulo e quando você se dá conta já está no fim.

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19/01/2016 0 Comments Pessoal

O tal bloqueio criativo

post- bloqueio-criativoEscreve, lê, apaga. Escreve de novo. Ainda não ficou bom. Apaga outra vez. Depois da terceira, fecha o editor de texto e vai fazer qualquer coisa pra ver se a inspiração vem. Mas ela não vem, por mais que tente, até que aquela tela em branco começa a parecer insuportável, a cadeira incomoda, a luz não está boa, qualquer coisa serve de desculpa pra deixar pra depois aquele post, a primeira linha daquela história que tinha tudo pra virar um livro, ou qualquer outra coisa. A inspiração pode até dar as caras, mas vai embora rapidamente no momento em que digito a primeira palavra.

Tem sido assim há algum tempo, daí a ausência de posts. Por mais que eu tenha várias ideias legais – como falar das viagens que eu fiz e das que quero fazer, por exemplo – ainda não consegui colocá-las no papel, pra começar. E olha, vocês nem fazem ideia do quanto isso me deixa triste. Mas eu espero que seja somente uma fase, e que passe.

O Reading the World – meu projeto querido do coração – está meio parado por dois motivos. Primeiro: o final do ano passado foi meio complicado com as coisas das faculdade e o trabalho exigiu mais de mim do que o usual, o que fez com que eu tenha parado um pouco com as leituras. Segundo: descobri que o meu inglês está pior do que eu imaginava (shame on me) então os livros em inglês vão demorar um pouco mais para serem finalizados. Vai devagar, mas aos poucos vou pegando o ritmo e as resenhas vão ser mais frequentes, inclusive de outros livros que não fazem parte do projeto.

Por fim, quero agradecer a todos vocês que tiram um tempinho do seu dia pra ler meus textos, pra deixar um comentário ou curtida, é muito importante pra mim vocês não desistirem de mim.

Obrigada!

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04/12/2015 0 Comments Cartas pra você

A carta que eu não queria escrever

0312

Hoje eu escrevi mais uma carta pra você. Prometi a mim que dessa vez será a última. Eu abri meu coração de um jeito que nunca tinha conseguido, e coloquei todo o sentimento que poderia ser transcrito em palavras. Não sobrou quase nada. Naquelas páginas eu me despi de todas as máscaras, e te mostrei mais que o meu coração, a minha alma. Foram as palavras mais difíceis que eu já escrevi, mas também, pode ser que sejam as mais bonitas, e as mais verdadeiras.

Você já amou tanto alguém que teve medo de dizer? Porque tinha medo da reação dessa pessoa, de que não fosse capaz de entender? Alguma vez você sentiu que se perdesse a esperança que esse amor lhe trazia seu coração ia parar de bater? Ou que a única coisa a fazer sentido na sua vida era um amor que não fazia sentido algum? É assim que eu me sinto. É assim que eu te amo. Tanto que dói. Que sufoca, que rasga meu coração em pedaços, depois junta, formando sempre uma nova cicatriz, e deixando um pedacinho perdido pra trás.

Eu te amo tanto que dói. Fisicamente, como se uma navalha afiada me cortasse por dentro. Algumas vezes é tão forte que tenho certeza de que meu coração não vai aguentar e vai parar de bater de vez. Outras, sinto que não sou capaz de respirar, e por mais que eu inspire, o ar não é suficiente. Nesses momentos, as palavras fogem, os olhos embaçam e, se eu tiver sorte, as lágrimas caem livres. Digo sorte porque, ultimamente, nem o consolo das lágrimas tenho tido. Como se eu não fosse mais capaz de chorar.

Eu escrevi uma carta pra você. E agora não tenho mais nada que seja meu. Pois até o amor que era meu eu entreguei a você. Mesmo sabendo que parece loucura. Mesmo tendo perdido a esperança há muito tempo. Quer dizer, talvez tenha restado um último suspiro, que foi o bastante pra me fazer apertar o enter antes mesmo de perceber que não teria mais volta.

Agora você sabe. E esse amor não é mais meu apenas. É seu também. Isso me assusta. Me dá medo, porque não sei o que você vai pensar ou dizer. Não está mais em minhas mãos. De repente eu me dei conta de que perdi o controle de algo que por anos eu mantive guardado e seguro.

Agora você sabe que todas as cartas sempre foram pra você. Que toda vez que falei sobre o amor, eu estava falando sobre você, sobre o que eu sentia, ou o que eu sonhava. Que todas as histórias foram inspiradas nos sonhos que já tive, muitos tão reais que ainda me confundem. Que você é a razão pela qual eu encontro forças pra me levantar todos os dias pela manhã. E que eu não sei se sou capaz de te esquecer.

 

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23/11/2015 0 Comments Literatura

Por onde andam as pessoas interessantes

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Por onde andam as pessoas interessantes? é o primeiro livro do Daniel Bovolento, do blog Entre todas as coisas. Quando conheci o blog do Dani, há alguns anos, eu logo me identifiquei muito com a forma que ele escrevia sobre sentimentos. De um jeito sincero, rasgado, abrindo o coração e se expondo ali pra quem quisesse ler.  Por isso fiquei muito feliz quando ele disse que ia publicar seu primeiro livro, há mais de um ano.

Então, já vou avisando que a minha opinião sobre este livro não é nem um pouco imparcial. Até mesmo porque imparcialidade não é meu forte, e mesmo se fosse  não poderia deixar a emoção de lado para falar de algo tão bonito e cheio de amor como é Por onde andam…, o primeiro – espero que de muitos – livro do Daniel Bovolento.

Mas antes de falar um pouquinho do livro, tenho que dizer uma coisa importantíssima:

Tive a oportunidade de ir ao lançamento do livro em um shopping aqui em BH, no final de outubro.  Foi uma tarde deliciosa, e posso dizer, com absoluta convicção, de que Daniel é uma das pessoas mais encantadoras que já conheci. É lindo, por dentro e por fora. E tem uma característica difícil de encontrar nas pessoas hoje em dia: sabe ouvir. Mas ouvir mesmo, prestando atenção em cada palavra que você diz. O vi se envolvendo, se emocionando com cada leitor que esteve ali para autografar o livro e conhecê-lo.

“Daniel está nu.” É assim que a escritora Stella Florence começa o prefácio já dando, logo de cara, uma ideia do que vem pela frente. A frase, em destaque, pode até causar algum estranhamento para quem não conhece o blog do Daniel, o Entre todas as coisas. Pra quem está acostumado com seus textos, é mais uma indicação de que ele se mostra inteiro em cada frase, em cada história de amor, em cada música escolhida para embalar a leitura. Inclusive, recomendo ler cada crônica ouvindo a música “sugerida” porque dá um sentido todo especial às palavras.

por-onde-andamPor onde andam é um livro que fala de amor. Fala muito de amor. Fala de amor pra caralho. Em cada página, em cada frase, em cada música. E então você percebe, nas linhas e entrelinhas, que as pessoas interessantes podem estar em qualquer lugar. Qualquer lugar mesmo. Vai ver você é que não tá prestando atenção aos sinais que a vida insiste em colocar muitas vezes bem na sua cara (ok, essa foi pra mim, mea culpa).

Quantas vezes na vida você já deixou de investir em alguém porque achou que não corresponderia às expectativas da outra pessoa?

As crônicas são bem diversas, algumas intensas e reflexivas, outras mais leves e até divertidas, todas com um denominador comum: são cheias de sentimento. E o amor, longe de ser um problema ou a solução, é amor. E amor não se explica, não se limita, mas se deixa sentir.

Enfim, é um livro agradável de ler, a leitura é relativamente rápida (eu li em um fim de semana, com pausas). E olha, vale a pena parar um tempinho para apreciar cada texto, e pensar sobre a pergunta do título. De repente, para encontrar as tais pessoas interessantes que tanto procuramos, é preciso olhar a vida por outros ângulos, sair da sua zona de conforto e experimentar novos caminhos.

ednasantt